quinta-feira, 21 de outubro de 2010

FILOSOFIA BUTEQUEIRA NA PRAXIS

Estreando no Blog, depois do sermão do Minas, do meu estado de embriaguez financiado pelo Nelson e para desespero da Pedroca iniciarei os trabalhos por aqui...

Estou cá pensando com os meus botões, o que seria interessante para o primeiro post do prestigiado, aclamado e divulgado Blog, se não abordar a própria filosofia de bar, ou melhor, as fases da pseudo sapiência filosófica depois de uns gorós e da inspiração catártica nos bares que percorremos... E claro, as consequências retumbantes durante o percurso noite a dentro.

FASE 1 – O SOCIÁVEL

Os amigos se reúnem no bar começam a beber descontraídos e felizes... você está sociável e legal. Há um sentimento de amizade e prazer na mesa, o epicurismo reina neste momento.

Mas a sua latente vocação dionisíaca(ou diríamos ‘self-destruction’?) fará efeito, pode esperar....

FASE 2 – O SABICHÃO

Depois de alguns copos, você vira sábio, expert, guru, o supra-sumo da inteligência humana e quer discutir tudo, mas tudo mesmo, de teoria da conspiração dos aliens e dos Illuminatis a se o ornitorrinco é pato, peixe, cobra, aranha ou o Tiririca. Abrange mais assuntos que o Aristóteles estudou e domina o idealismo transcendental como nunca o Kant imaginou.

FASE 3 – O CHATO

Após a longa palestra de quem realmente matou Odete Roitman e a lógica de que o pinto veio antes do ovo e da galinha através do método maiêutico de investigação, instaura-se na mesa uma monotonia mórbida, o que torna insustentável a vida até em Delfos. Então alguém, sabiamente, convoca todos para mudar de bar ou então pegar uma baladinha ‘light’, e claro você já fitou as ‘fêmeas’ da mesa convencido que depois de sua eloqüência e seu sofismo que fez inveja em Protágoras, certamente a noite vai ‘render’, porque, lógico, você é o macho alpha da mesa... ‘’a noite é uma criança’’...

FASE 4 – O MACHO ALPHA

Com o teor alcoólico já um pouco acima dos padrões ‘socráticos’, nada mais justo que em vez de outro bar, ir pra uma balada para mostrar aos amigos e amigas que além de ser o Platão no máximo da sua plenitude metafísica, também jorra virilidade e ‘macheza’, e óbvio, tem o ‘pinto’ maior que todos da balada(ui!). Sapiente de sua fase viril, logo que chega ao recinto tenta mostrar todo seu lado empírico, seus dedos afoitos buscam as mulheres presentes a fim de fornecer uma experiência inesquecível [Porque vocês sabem, mulheres... se te passarem o dedo anelar ali na região no cotovelo, ‘desenhando’ um quadrado circunflexo, você vai ‘dar’, FATO!]. Depois de diversas tentativas de aproximação a lá David Hume com negativas do sexo oposto, você pensa: "Olha essas minas... tavam ‘mó’ me olhando, dando uma moral absurda, mas aí chego perto e vira a cara... quem faz seleção natural aqui sou eu, fui lá só perguntar as horas pô! Charles Darvin aqui sou eu, morô?!".

FASE 5 – O CHUCK NORRIS

Incrédulo com a situação e querendo provar que é o Chuck Noris da balada, começa a sentir uma dor... Vai começar a tendinietzsche. Como ficou muito tempo desfilando e esbanjando virilidade pela a balada, é a hora de tomar uma bebida mais forte para dar uma revigorada no espírito. Chama os amigos e ‘racha’ uma garrafa de vodka com energético. Conversam e bebem. A embriaguez aumenta junto com a energia adquirida do energético; e é assim que começa a brincadeira da ‘lutinha’... Um quer provar para o outro que briga muito e sabe um golpe ultra secreto que só um pode saber, mas não satisfeito em demonstrar toda sua técnica e habilidade para os amigos, você dá golpes, ou melhor, ombradas nos outros por querer, pra provar que é macho mesmo e ninguém mexe com você. Seus amigos bêbados falam pra você maneirar... você diz: ‘‘...o infernos são os outros... esbarrei sem querer no cara, e nem peguei pesado com a menina ali, só chamei ela de gorda biscate... agora não posso nem dar um pulinho ali no camarote sem pulseira que você acha que eu estou arrumando briga e tumultuando o ambiente, o segurança que é folgado mané... não me pega pra Nietzcsche, hein!!!’’

FASE 6 – O COMUNISTA

Mais calmo, apesar do estado de embriaguez mais avançada, agora você vira comunista. Comunista...? Sim, sim. Como dizia Marx ‘’Viva a revolução do proletariado... distribuição de bebidas, quer dizer, de bens para a todos’’. Assim, em um surto ‘’revolucionário’’ você começa a pagar bebidas a rodo. Tequila, whisky, vodka e tudo que fará seus amigos felizes e esquecerem a sua tendinietzsche. Até pessoas alheias e desconhecidas se tornarão seus melhores amigos, porque, o que adianta implantar o comunismo, se todos não têm acesso?

FASE 7 – O “Bebo, logo...”

Após várias rodadas de bebidas, você começa a derrubar copos, garrafas e cinzas de cigarro nos outros. Dança e canta ‘’I will survive’’ com a coreografia exata da ’Bernadette’ em Priscila, Rainha do Deserto, ainda desabotoa a camisa com o mindinho na boca pagando de gostoso, mostrando os ’peitinhos’ e se achando o cara mais sexy da balada. Depois do ’show’, não consegue parar em pé e fica se escorando nos outros, isso quando não vomita nos pés dos amigos... Triste! Então, em um último suspiro filosófico da noite vem Schopenhauer à mente... um pessimismo, um sofrimento, uma solidão... Diante dessa efêmera consciência da situação, começa a chorar, abraça os amigos e diz - ‘’Cara eu te amo, velho!!! Não sou gay, mas eu tinha que te falar isso. SÉRIO! Você não sabe o quanto você representa pra mim e blábláblá....’’ - liga à cobrar pros amigos que ficaram em casa dormindo, além de ligar pra ‘’ex’’....

FASE 8 – O NADA

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Achou que depois de encher a cara tu vai lembrar mesmo de tudo que você aprontou noite passada? Fica de boa aí e curte sua ressaca filosófica.

10 comentários:

  1. Hahaha, muito bom Fera!
    Estreiando com o pé direito...

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  2. Não gosto de assumir essas coisas em público, mas pros outros três fica a dica: se o Fera continuar por aqui, ele desbanca vocês. Ou vocês o matam ou aceitam. Fera, possivelmente não repetirei isso, por pura inveja: genial.

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  3. ficou otimo ferinha!!nos 3 primeiros exemplos eu vi o salsicha por completo!haushauhsush
    sorry sal, t amo mesmo assim, sabe lah pq...
    mas enfim, vc vai render por aqui fera!bem vindo!

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  4. hahahahaha valeu pessoal!
    só tentei agrupar resumidamente as peripécias ocorridas e que ainda ocorrem na noite, então quem vestir a carapuça em alguma situação não se sinta ofendido e não leve por trás, é só piada, ok?! rs

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  5. Já disse e repito: essas ideias só podem ter vindo devido a muito conhecimento empírico!
    Muito bom e (in)felizmente realista, seu texto. hahah
    Parabéns pela estreia! :D
    :*

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  6. hahahahahahahaha
    Quem já tomou maria-mole que o diga!
    Parabéns, Feríssimo!
    Só por isso sou sua amiga!
    Rá!

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  7. Bizarro, fui lendo e lembrando de cenas imediatamente....

    Mandou bem... agora nos resta beber mais para ter mais assunto!

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  8. Excelente estréia, Fera! Só podia ser palmeirense.

    PS.: conheço alguém q vive na fase 2.
    PS2.: pra eu me identificar, faltou a fase "rabugenta".

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  9. Concordo com todos Ferinha, mto bom, deixou os outros no chinelo, haha, brincadeirinha.

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  10. Curti seu texto...até onde li..
    um pouco extenso, não acha?
    que preguiça!!
    kkkkkk

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